O dia em que vi Naruto pela primeira vez




2017. Esse foi o ano em que eu, de fato, conheci Naruto Uzumaki. Tarde, né? Afinal, o anime estreou em 2002. Até aquele momento eu tinha tido contato com poucos animes. Cavaleiros do Zodíaco (saudades Manchete 💙), Sailor Moon, Pokémon, Digimon (Digitais), Beyblade e um amor especial por Yu Yu Hakusho (que também conheci em 2017, mas vocês só poderão me julgar no próximo post).

Um certo alguém me perguntou: você já viu Naruto? Com sinceridade no olhar, respondi – Já ouvi falar. “Então para tudo! Você precisa assistir”. Ok, respondi, vamos ver porque esse desenho era tão famoso. E, principalmente, vamos descobrir o que eu perdi esse tempo todo em que muitos dos meus amigos assistiam e discutiam na escola, e eu nunca participara.

A história de um garoto rejeitado pelo seu vilarejo por conta de um monstro que havia dentro dele. Um monstro do qual ele não tinha nenhuma culpa. Afinal, aquilo havia sido posto dentro dele ainda bebê. A história de um garoto que queria ser maior e melhor que todos. Um garoto que queria provar o seu valor. E faria de tudo para ser o líder daquele lugar.

A história de um garoto que queria fazer tudo, mas não tinha habilidade. Um garoto impulsivo, hiperativo e dono de uma peculiar voz irritante. Principalmente quando estava furioso (o que era muito normal). Pensei: é sério que você vai me fazer ver isso? Esse garoto é um porre! Eu tinha que assistir o desenho com o controle de volume da TV na mão. Sem falar da teimosia e total falta de noção. Inexperiente, arrogante e apaixonado. Louco por uma menina que não queria vê-lo por perto.
E mesmo sendo rejeitado, ele continuava em sua jornada para se tornar o maior ninja de todos os tempos. Gritando e me irritando a cada kunai jogada errada. Pensava comigo mesma: até quando isso vai durar? Quantos episódios tem esse anime? Aí me veio a surpresa: o que começou em outubro de  2002 terminou em março de 2017. OI? Eu vou assistir quase 15 anos desse moleque chato que não sabe que dificilmente vai ganhar um grande ninja em batalha usando apenas o jutsu Clone das Sombras? Ou que será quase impossível superar a habilidade nata do Sasuke? E que não adianta se irritar por chegar cedo porque o Kakashi nunca vai estar lá na hora?

Pera aí! Como eu sei disso? Aí já era tarde... tendo em mente que a primeira temporada é beeeeem lenta e cansativa pra quem é fã de ação e estratégias inteligentes (não agüentava mais “Zabuza Momochi, o demônio da névoa oculta”), preciso confessar que algo me fez continuar (talvez a insistência do namorado) e simplesmente querer seguir essa jornada em busca de aprendizado, crescimento e, principalmente, superação.

Entendi que Naruto não é apenas um anime com mote de ninjas e suas guerras. É algo maior. A história de alguém que teve perdas enormes ainda bebê. Cresceu praticamente sozinho, dependendo da compaixão de um ou outro. Um garoto “demonizado” por toda uma vila. Rejeitado, desacreditado, diminuído. [Cuidado com o spoiler se você nunca viu ou não chegou no “Shippuden” ainda] Mas que nunca deixa sua essência morrer, não sente remorso, não culpa o mundo pelas suas derrotas. Pelo contrário, luta dia e noite para salvar aquela vila que o rejeitou. Para trazer a paz para o povo que o deixou de lado durante anos. E consegue. Vira o herói.

Mesmo diante do mundo inteiro dizendo que NÃO, permanece acreditando no amor e na amizade. E eu, hoje, com 28 anos na cara, sempre que tenho uma dificuldade na vida, ou quando algo me parece muito difícil de superar, me pego pensando: o que o Naruto faria agora?

E você, já pensou nisso hoje?



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