Gamificação - O que é e para o que serve?



Gamificação. É mais um termo da moda ou uma ferramenta poderosa para motivar e engajar pessoas?

Essa expressão foi utilizada pela primeira vez em 2002 pelo consultor britânico Nick Pelling para dar nome ao uso de uma interface que serviria para facilitar a interação com clientes em suas transações eletrônicas.

O nome Gamificação ficou um pouco esquecido, até que o Foursquare (lembram? alguém aí ainda usa?) começou a usar a expressão quando criou um "joguinho" de conquista de medalhas. Daí foi um pulo para que em 2010, essa palavrinha esquisita passasse a figurar nos trend topics do Google.

A definição formal para o termo foi dada em 2011, no artigo Gamefication: Toward a Definition, que determinou gamificação como "o uso de elementos de design de jogos em contextos não jogáveis. Se diferencia de jogos sérios e design de jogos por estes possuírem interações lúdicas". Não, pera. É o quê? Eu explico: eles definiram que a gamificação é utilizar-se de elementos como pontuação, placares etc, em ambientes não jogáveis. Sacou?

Ok, beleza. Mas é só isso? Não. Em 2013, um cidadão chamado Andrzej Marczewski (na boa, não sei pronunciar esse nome. Quem souber, por favor, me mande um vídeo pelo direct do Instagram do Teoria Nerd, quero aprender rsrsrs) achou essa definição bem fraquinha e disse que gamificação "é a aplicação de metáfora de jogos em contextos não jogáveis para influenciar comportamento, aumentar a motivação e melhorar o engajamento". Opa! Aí já curti mais, hein? Quer fazer uma pessoa de marketing feliz? Use as expressões aumentar motivação e melhorar engajamento na mesma frase. Se colocar influenciar comportamento, é praticamente um hadouken do mundo do marketing.

Para ficar ainda melhor, em 2014, o Brian Burke evoluiu o termo e incluiu algo super importante na vida de todos. Objetivo. Ora, todo jogo tem um objetivo, não é mesmo? Seja resgatar a Princesa Peach de um castelo aonde ela está sendo feita refém por uma Tartaruga Não Ninja Mutante, seja sair aloprando pela cidade roubando carros, atropelando pessoas, dirigindo em alta velocidade e fugindo da polícia, seja viajar pelo mundo ganhando lutas de rua (sim, joguei muito Street Fighter) ou até mesmo fazer carreira de jogador de futebol como o Alex Hunter. Enfim, o fato é que o objetivo é uma parte importante dos games, certo? Vamos voltar ao Brian Burke. Ele disse então que "gamificação é o uso de design de experiência digitais e mecânicas de jogos para motivar e engajar pessoas para que elas atinjam objetivos."

"Então tá legal, Rafaella. Entendi. Mas você escreveu um monte e eu ainda não sei se dá pra utilizar esse trem e nem sei se funciona de verdade."

Calma aí, povo! Não sou especialista na parada, mas aqui a gente mata a cobra e mostra o pau! (Não matamos nenhuma cobra de verdade, não precisa denunciar no Ibama, nem nada)

Vocês são viciados em jogos? Eu tenho um problema sério. Tenho videogame desde criancinha, meu primeiro foi um Atari. Desinstalei todos os jogos do meu celular. O Pokemon Go levou o meu pacote de dados, o meu tempo, um pouco do meu dinheiro e minha vida social kkkkkkk. Tenho um filho de 13 anos com quem tenho longos "debates" a respeito do tempo que ele usa jogando x o tempo que ele usa estudando. Uma madrugada levantei pra beber água e o abençoado estava lá acordado, jogando PS4 (tive que confiscar, né? Olha a situação...). O que eu quero dizer com isso é que os jogos são muito mais atrativos e conseguem prender a atenção das pessoas por muito mais tempo do que uma atividade comum. Que tal se você conseguisse aumentar a produtividade da sua equipe, motivando-os em uma atividade que criasse um ambiente de mais envolvimento? Tenho certeza de que TODOS ficariam muito mais felizes e entregariam um resultado extremamente satisfatório.

Sabe por quê? Porque o jogo é algo que vai muito além do lazer. O jogo dispara alguns gatilhos aqui dentro desse cérebro maravilhoso do ser humano. A gente fala para os filhos que "não tem problema perder, o importante é competir", mas todos temos esse bichinho inquieto que manda a gente competir pra ganhar. E isso é natural do ser humano, não tem nada de errado nisso (passa a ser errado quando você trapaceia ou prejudica o outro, né?). Além da necessidade de competição, os games nos dão a satisfação dos feedbacks imediatos, recompensas, evolução rápida, senso de urgência e aquela sensação boa de quando superamos aquela fase difícil ou um ganhamos de adversário muito mais forte (ou vira para o coleguinha e esfrega na cara dele que já zerou o jogo :P).

Hoje as aplicações da gamificação são diversas. Li uma matéria no G1 sobre alunos da USP que desenvolveram um aplicativo estimula a ter mais atenção no trânsito. O aplicativo bloqueia as notificações do celular e quanto mais quilômetros o motorista percorrer sem o uso do celular, mais moedas acumula para trocar por descontos em lojas parceiras.Vou deixar o link para vocês lerem.

Até para ajudar a salvar o mundo a gamificação é utilizada. E não estamos falando de nenhum jogo do Capitão Planeta (embora nesse caso ele seria um excelente "garoto propaganda"). A empresa Recyclebank criou para seus associados um programa incentivo de reciclagem de lixo através de desafios. As comunidades são motivadas à reciclarem seu lixo através de lixeiras monitoradas por chips, que são pesados pelo caminhão na hora da coleta. A comunidade que atinge sua meta ganha pontos que podem ser trocados por produtos ecológicos de empresas parceiras.Vai Planeta!

Além desses exemplos tem vários outros em diversas áreas com resultados bastante positivos. Você pode utilizar a gamificação para criar engajamento e fidelizar clientes? SIM! Você pode utilizar a gamificação na sua empresa para implantar um grande projeto que envolva até mudança de cultura organizacional? SIM! Dá pra usar a criatividade!

Vou deixar alguns links aqui embaixo, inclusive um TedTalks maravilhoso da Jane McGonigal onde ela afirma que podemos utilizar os games para resolver problemas do mundo real, com vários exemplos de gamificação. Vale a pena gastar esse tempo para aprender um pouco mais sobre o assunto. Ah! E se quiser saber ainda mais, tem uns livros bem bacanudos também que você encontra na Amazon, para Kindle. Hoje tô generosa! rsrsrs

Deixe seu comentário aqui embaixo, me chama no Instagram ou no Facebook do Teoria Nerd que vou ter o maior prazer de trocar uma ideia! Abraços e que a Força esteja com você!

Gamificação nas escolas
Estudantes da USP criam aplicativo que alerta sobre atenção no trânsito
TedTalks - Jane McGonigal: Jogando por um mundo melhor
E-books na Amazon sobre Gamificação



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